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Em
Busca do Príncipe Encantado
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Chegam
ao meu consultório muitas mulheres, em geral por volta dos 30 anos
com uma queixa: escolhem sempre o parceiro errado!
Trazem
histórias frustradas e confusas de relacionamentos com pessoas que
“mudaram completamente após estabelecer a relação” ou já de
início, de escolha avessa aos desejos pessoais. Em geral, o
“erro” na escolha se repete e a conseqüência é a baixa
auto-estima, a falta de confiança e a fantasia de que o Príncipe
Encantado vai aparecer.
São
histórias de um fracasso atrás do outro, conduzidos por impulsos
para atender medos, desejos e traumas inconscientes, que fazem com
que a pessoa repita os mesmos modelos de comportamento, escolha de
parceiro e se coloque em situações que já trouxeram a experiência
de infelicidade e frustração.
Em
geral são mulheres, pois elas se entregam mais aos relacionamentos
e gostam do mistério nas relações, do jogo de conquista. O homem
em geral, quando a relação é muito complicada ou intrigante, ele
parte para outra. A escolha do parceiro de perfil semelhante à
frustração anterior está diretamente relacionada à prova da sua
capacidade de persuasão, de domínio, de submissão, enfim, de ter
aprendido com o erro anterior e agora manter o domínio da situação.
Normalmente
mulheres que acreditam ser competitivas embarcam em relacionamentos
com homens casados. Gostam da intriga, de concorrer com a esposa,
mesmo que ela não saiba disso. Normalmente convencem a si mesmas
que querem apenas tirar proveito da situação, fazendo a outra de
boba e não percebem que estão repetindo a mesma cilada.
Muitas
vezes estes homens relatam serem incompreendidos pela esposa ou que
mantém um casamento por conveniência financeira, por causa dos
filhos, por motivos de saúde de algum familiar, etc. Comovida, a
amante acaba se tornando uma boa amiga e ouvinte da dor vivenciada
pelo homem, das falsas histórias de amor na sua relação conjugal
e acredita que a sua é verdadeira, pois é quem ouve, curte e para
quem ele conta suas amarguras.
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Mulheres
se entregam mais aos relacionamentos e gostam do mistério nas
relações, do jogo de conquista. O homem em geral, quando a
relação é muito complicada ou intrigante parte para outra. |
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A
aquelas que precisam provar sua potência através da transformação
do outro. Querem converter o homem no fruto dos seus desejos. Podem
se apaixonar por homossexuais, por dependentes químicos, por homens
que não querem compromissos, por aqueles que se sentem muito bem
casados, enfim, por homens que vivem situações adversas a suas
intenções e que elas, com seu poder, poderão faze-los mudar de idéia,
inclusive propiciar que eles se apaixonem por elas. Freqüentemente
essas pessoas sofrem muito, homens e mulheres, pois colocam seus
destinos sob custódia do tempo, que irá definir a situação.
Enquanto isso, o sofrimento se arrasta e prejudica gradualmente
diversos aspectos da vida.
Por
traz de cada desilusão que se repete nas ações, está a rigidez
na forma de se relacionar. Por exemplo: o profissional de sucesso,
que segue regras no seu trabalho, tende a transportar o seu ímpeto
de sucesso e seu potencial de regrar as ações para o
relacionamento afetivo. Esquece que ser brilhante no trabalho não
é o mesmo que na vida amorosa.
A
necessidade de auto-afirmação traz uma tendência de insistir no
erro, o que não é saudável. E a cada desilusão, aposta que na próxima
vez dará certo, pois já adquiriu uma “bagagem” de como lidar
com as pessoas que costuma se envolver.
Essas
mulheres, que chegam no meu consultório, dizem que tem vontade de
acertar, de ter um companheiro para o resto da vida. Em geral,
buscam um amor impossível: homens perfeitos, sem história, que
aceitam se reformular de acordo com a amante, que doem inclusive seu
amor próprio, que sejam um príncipe encantado. Por traz desta
busca estão as suas carências, a insegurança, o medo de se
envolver, o sentimento de não merecer alguém e então as escolhas
dos amores impossíveis. Falta a essas mulheres, abdicar de suas
fantasias e isto envolve auto-conhecimento, investimento em si e
reflexão para aprender com os relacionamentos de forma
enriquecedora. Assim, com a necessidade de preencher essa lacuna,
chegam ao meu consultório e começamos juntas a buscar respostas e
ações para uma vida mais plena e feliz.
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Vera Regina
Sebben (Setembro/2005)
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